Guilherme Marques

Mais que opiniões, conteúdo embasado.

Written by: on 23 de setembro de 2012 @ 23:37

Escrevo esse post por razões pessoais que não vou explicitar, mas quem me conhece sabe dos motivos que tenho para pesquisar sobre esse mal que aflige mais de 22 milhões de pessoas no mundo (dados de 2010).

Demência

Analisando de forma mais ampla, em 2010 cerca de 35 milhões de pessoas sofriam de algum tipo de demência. A previsão é que este número chegará a 65,7 milhões em 2030 e 115,4 milhões em 2050, principalmente devido ao aumento do percentual da população idosa no mundo (Alzheimer’s Disease International). No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de pessoas sofram com o mal de Alzheimer(AlzheimerMed).

A demência é uma síndrome que pode ser causada por diversas doenças progressivas que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a habilidade de executar tarefas cotidianas. O mal de Alzheimer é o tipo mais comum de demência, com 62% dos casos. Há também demência vascular (17%), demência com corpos de Lewy (4%), demência fronto-temporal (2%) e outros . Um dado impressionante é que uma em cada seis pessoas com mais de 80 anos no Reino Unido são atingidos por alguma forma de demência (Alzheimer’s Society).

Dr. Alzheimer

Muitas formas de senilidade são descritas desde os tempos mais remotos, mas somente em 1906, quando um médico alemão, Dr. Alois Alzheimer, realizou a autopsia de uma paciente com fortes sintomas de perda de memória, confusão e dificuldade de entender perguntas, é que a doença de Alzheimer, como ficou conhecida, foi descrita. No cérebro da sua paciente, o Dr. Alzheimer encontrou diversas placas densas cercando os neurônios e fibras retorcidas no interior das células nervosas.

Desde então, diversas descobertas têm sido feitas em relação à doença, como a identificação dos fatores de risco, o processo de formação das placas e das fibras intraneuronais e as regiões do cérebro que são afetadas. Genes específicos relacionados ao mal de Alzheimer foram descobertos e estudados, mas os fatores de risco genético, por si só, não explicam completamente sua causa. Por isso os pesquisadores estão explorando o ambiente e o estilo de vida para entender o papel que podem ter no desenvolvimento da doença (Alzheimer’s Disease Research).

Infelizmente, apesar dos grandes avanços científicos, o mal de Alzheimer ainda não tem cura. Os medicamentos utilizados hoje tratam apenas dos sintomas, retardando o avanço da perda cognitiva (Alzheimer’s Disease Research).

Sintomas

Reproduzo abaixo o excelente texto da Dra. Ana Paula Mendes, retirado do site reabilitaçãocognitiva.org com os 25 principais sintomas do mal de Alzheimer:

      1. A Perda De Memória

A maior parte dos doentes com Alzheimer não consegue lembrar das mais pequenas coisas do dia-a-dia, como por exemplo: o que fizeram no dia anterior, os nomes das pessoas que os rodeiam, o que comeram ao almoço, os animais de estimação que têm, números de telefone e conversas recentes, entre outros. Em todo o caso, a perda de memória pode não ser consistente e o fato de não se lembrar hoje não quer dizer que não o faça amanhã.

2. O Estado Agitado E O Humor Alterado

É comum para alguém que sofre de Alzheimer parecer ansioso ou agitado. A agitação resulta geralmente do medo, confusão, pressão ou fadiga que um doente possa estar a sentir. Por outro lado, as mudanças radicais também contribuem para uma enorme agitação e mudança repentina de humor. Independentemente do motivo ou situação, um doente de Alzheimer pode passar de um estado calmo para um estado de raiva sem qualquer motivo aparente.

3. O Julgamento Debilitado

Uma pessoa que tem a doença de Alzheimer tem tendência a tomar as decisões mais disparatadas e/ou inadequadas perante uma determinada situação. Um exemplo dessa irresponsabilidade está na forma imperfeita de se vestir ou na incapacidade de avaliar por si próprio aquilo que é mais seguro. Por norma, as primeiras mudanças que ocorrem no julgamento de uma pessoa estão relacionadas com a gestão das suas finanças e é quando o dinheiro começa a ser gasto de forma inusitada e incorreta.

4. Dificuldade Em Lidar Com O Dinheiro

A dificuldade em lidar com o dinheiro é um obstáculo muito difícil de ser ultrapassado para quem sofre de Alzheimer. A incapacidade de pagar contas, de fazer as compras essenciais e administrar um orçamento é um sinal claro de demência psíquica e indica se um indivíduo está ou não na posse de todas as suas faculdades.

5. Dificuldade Em Realizar Tarefas Familiares

Uma pessoa que sofre de demência leva mais tempo a concluir as tarefas mais básicas do dia-a-dia que, por hábito, já realizou milhares de vezes. Por exemplo, um cozinheiro experiente pode ter sérias dificuldades em fritar um ovo ou qualquer outro tipo de preparo de fácil realização.

6. O Problema Do Planeamento E Resolução De Problemas

À medida que a demência progride, podem existir maiores dificuldades de concentração. De uma forma mais particular, uma pessoa que sofre de Alzheimer não consegue seguir um plano, tomar a medicação correta ou gerir um orçamento. Por outro lado, a sua capacidade de decisão e resolução de problemas é nula.

7. Trocar O Lugar Das Coisas

Um dos sintomas mais frequentes da doença de Alzheimer está relacionado com a troca sistemática do lugar das coisas. Por exemplo, é muito frequente encontrar as chaves de casa no congelador ou o comando da televisão na gaveta das meias, entre outras situações insólitas. Existe uma tendência para o esquecimento, mas também para deixar as coisas nos locais mais incomuns. É também de registar que é frequente acusarem outra pessoa de esconder ou roubar os seus pertences.

8. A Desorientação No Tempo E No Espaço

A percepção do tempo e do espaço é um dos problemas mais graves que afeta um doente de Alzheimer. É muito fácil ficar perdido na rua, uma vez que não se recorda do local onde vive, não tem a noção das datas, estações do ano e/ou passagem do tempo, entre outras situações temporais e espaciais.

9. A Dificuldade Em Comunicar

As capacidades linguísticas e comunicacionais de uma pessoa com Alzheimer vão diminuindo com o passar do tempo. Uma pessoa pode ter imensas dificuldades em encontrar a palavra certa, chamar as coisas pelos nomes errados, inventar novas palavras, entre outras situações. Esta condição carece de atenção, pois pode conduzir ao isolamento e depressão.

10. Vaguear Sem Rumo

Infelizmente, cerca de 60% das pessoas com demência têm uma tendência para vaguear sem qualquer tipo de destino. Isso deve-se à inquietação, medo, confusão em relação ao tempo e incapacidade em reconhecer pessoas, familiares, lugares e objetos. Em alguns casos, a pessoa pode sair de casa a meio da noite para satisfazer uma necessidade física, como encontrar uma casa de banho/banheiro ou comida, ou até pode querer ir para casa quando já está efetivamente em casa.

11. O Discurso Repetitivo

A repetição frequente de palavras, frases, perguntas ou atividades é uma característica da demência e da doença de Alzheimer. Esse comportamento repetitivo é provocado, por vezes, pela ansiedade, stress, ou para alcançar o conforto, segurança ou familiaridade.

12. As Dificuldades Visuais E Espaciais

As pessoas que sofrem da doença de Alzheimer tendem a ter dificuldades de leitura, em julgar distâncias ou a determinar a cor e/ou contraste de um determinado tipo de material. Em termos de percepção, é comum que uma pessoa se olhe ao espelho e pense que está na companhia de outra pessoa sem se ter percebido que está diante do seu próprio reflexo.

13. A Realização De Atividades Sem Qualquer Tipo De Propósito

Se detectar que um familiar que está ao seu cuidado realiza todo o tipo de esforços para a realização de uma atividade sem qualquer tipo de objetivo, como por exemplo abrir e fechar uma gaveta várias vezes, isso poderá significar que essa pessoa sofrerá de demência e, consequentemente, de Alzheimer. Apesar de não terem uma finalidade última, esse tipo de comportamentos revela a necessidade que uma pessoa tem em se sentir produtivo ou ocupado.

14. A Necessidade De Se Afastar De Todo O Tipo De Atividades

A doença de Alzheimer pode ser uma doença muito solitária e pode originar uma falta de interesse geral nas mais variadas atividades sociais ou pessoais. É comum que uma pessoa que sofra desta doença deixe de fazer os seus passatempos preferidos, pois não se recorda como os faz nem sequer sente o mesmo prazer.

15. A Perda De Iniciativa E Motivação

A apatia, perda de interesse e de motivação em atividades sociais ou pessoais podem levar uma pessoa à depressão e, consequentemente, ao isolamento. A depressão dificulta muito a tarefa de um doente pois impede-o de articular corretamente os seus sentimentos e faz com que ele não tenha qualquer vontade ou iniciativa própria.

16. O Não Reconhecimento Da Família E Dos Amigos

De uma forma geral, as pessoas que têm Alzheimer esquecem o que aprenderam e quem conheceram e isso faz com que não reconheçam os seus amigos e familiares mais próximos. Num estado avançado e final da doença, as pessoas podem apenas recordar-se dos seus pais e de apenas algumas passagens com eles.

17. A Perda Das Habilidades Motoras E Do Sentido Do Tato

A demência afeta as capacidades motoras e interfere com o manuseamento de roupas ou todo o tipo de utensílios, como as tesouras ou os garfos. Contudo, a perda das habilidades motoras e do sentido do tato podem estar relacionados com uma doença muito diferente, como a doença de Parkinson. Deve observar esses sintomas e comunicá-los imediatamente ao seu médico de família para um diagnóstico mais detalhado.

18. A Dificuldade Em Se Vestir

A forma como um indivíduo se veste diz muito sobre a condição psicológica de uma pessoa. No caso de um doente de Alzheimer é comum ele utilizar a mesma roupa durante vários dias, pois esquece-se que a mesma já foi usada. Por outro lado, as dificuldades em apertar ou desabotoar os botões de uma camisa ou de um casaco, assim como realizar o nó de uma gravata são também um enorme handicap devido à perda das habilidades motoras.

19. O Desleixo Com A Aparência E Higiene Pessoal

Os doentes de Alzheimer têm tendência para serem desleixados com a sua aparência e higiene pessoal, e esquecem-se, na maioria das vezes, de escovar os dentes, cortar as unhas, tomar banho e até utilizar a casa de banho/banheiro para a realização das suas necessidades.

20. Esquecer As Refeições Principais

A diminuição do apetite e a perda de interesse e prazer pelaalimentação faz com que um doente de Alzheimer se esqueça de realizar as refeições principais ao longo do dia. Existe também a hipótese de um indivíduo perder a capacidade de dizer se um alimento ou bebida está quente ou frio demais para comer ou beber. Por vezes, face ao fato de não se lembrarem de como utilizar os talheres, alguns indivíduos chegam a levar a comida à mão até à sua própria boca.

21. O Comportamento Inadequado

Na fase terminal da doença de Alzheimer, um indivíduo pode revelar um comportamento inadequado e agir de forma atípica em várias situações distintas. Por exemplo, é comum esquecerem-se que são indivíduos casados e começam a fazer avanços sexuais inapropriados com outros parceiros, ou podem tirar a roupa em horários impróprios e em locais invulgares.

22. A Capacidade De Delirar

Os delírios e a paranoia são comuns nos doentes que sofrem de Alzheimer e alguns chegam a ter a forte convicção ou ilusão de que alguém o está a tentar ferir ou matar. A perda da memória e a confusão são os responsáveis principais pela má interpretação do que um doente vê e ouve.

23. A Agressão Física E Verbal

A demência vai piorando com o tempo e com ela vão-se alterando os comportamentos e é normal que alguém se torne física ou verbalmente mais agressivo. As explosões verbais, gritos, ameaças e empurrões podem ser uma constante e podem surgir do nada. No entanto, é de realçar que a agressão verbal ou física pode estar relacionada com algum desconforto físico, incapacidade de comunicação ou frustração perante uma determinada situação.

24. As Dificuldades Em Dormir

Alguns sintomas como a agitação, ansiedade, desorientação e confusão tendem a piorar à medida que o dia passa e podem continuar durante a noite, fazendo com que existam muitas dificuldades em adormecer e dormir. Essa perturbação do sono pode estar relacionada com as alterações do relógio biológico de uma pessoa e é uma razão comum que leva muitas vezes os familiares a colocar os seus entes queridos num lar de idosos.

25. A Imitação Ou O Comportamento Infantil

Os especialistas afirmam que quem sofre da doença de Alzheimer fica completamente dependente de um determinado indivíduo e imita-o de forma infantil, chegando até a segui-lo como uma espécie de “sombra”. Este comportamento surge, muitas vezes, pelo receio em encarar a forma confusa como o mundo é percepcionado e pela necessidade de ter por perto uma pessoa em quem se confia totalmente.

É importante salientar, porém, que alguns dos sintomas descritos acima também se manifestam por diversas outras causas, sendo importante um exame neurológico completo para se afirmar, com boa dose de certeza, de que se trata do mal de Alzheimer. Este exame deve incluir testes de memória, orientação, linguagem, dentre outros. Também pode ajudar a formar um diagnóstico a realização de tomografias, exames de sangue e outros testes clínicos para afastar outras deficiências, como a de vitamina B, cálcio, fósforo bem como isquemias, hemorragias e tumores.
Somente com muita pesquisa sobre o estado clínico do paciente é que se pode ter um diagnóstico razoavelmente seguro de Alzheimer.

Fatores de risco

Não se conhece, ainda, o número de fatores que contribuem para o aparecimento de demências. Alguns, porém, já estão bem caracterizados:

Idade

      Entre os sessenta e os sessenta e cinco anos de idade, a probabilidade de se desenvolver o mal de Alzheimer é de cerca de 1%. Com o envelhecimento, a cada cinco anos, aproximadamente, a probabilidade dobra. Curiosamente, para pessoas com mais de 85 anos de idade, este tendência se altera, reduzindo ou estabilizando com o aumento da idade, dependendo da fonte consultada. Particularmente, acredito que essa redução se explique pelo fato de que se a pessoa não desenvolver a doença até esta idade, provavelmente não a terá mais tarde pois não apresenta os fatores de risco para isso. Outra explicação, menos desejável, pode ser a mortalidade dos pacientes que a contraíram em idades mais precoces.

Genética
Há evidências de que existe influência genética no desenvolvimento da doença, mas esta não é necessariamente hereditária, ou seja, não tendo sido evidenciada a transmissão de pais para filhos. Somente nos casos em que os filhos herdam dos pais a combinação de genes capaz de desencadear a doença, fato extremamente raro, a hereditariedade é confirmada. Nesses casos o mal de Alzheimer se manifesta normalmente entre os 35 e os 50 anos de idade. Também na anomalia do cromossomo 21, causadora da síndrome de Down, o mal aparece precocemente, antes dos 50 anos.

Outros
Outros possíveis fatores de risco têm sido estudados, porém com pouco resultado prático, como: exposição ou ingestão de substâncias tóxicas como álcool, chumbo , alumínio , e solventes orgânicos, medicamentos diversos, trauma craniano, exposição à radiação, estilo de vida, estresse, infecções, doenças imunológicas, câncer, altos níveis de colesterol e de homocisteína , a obesidade , diabetes , baixo nível de escolaridade etc. (AlzheimerMed).

Tratamento

Não existe, ainda, tratamento que cure os doentes do mal de Alzheimer. Assim, sendo uma doença progressiva, um tratamento pode ser considerado como bem sucedido se ele retardar o aparecimento ou agravamento dos sintomas ou se provocar modestas melhoras.

Diversos profissionais de saúde participam do tratamento da doença: neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psiquiatras e psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros, dentre outros.

É importante tratar a doença e seus sintomas de forma abrangente, não se limitando ao uso de medicamentos, que por si só têm eficácia reduzida. Progressos foram relatados, por exemplo, pela introdução de exercícios físicos moderados, pelo incentivo à leitura e por terapias que auxiliassem os doentes a melhorar sua auto-estima.

Os medicamentos mais comuns são os inibidores da acetil-colinesterase, que tentam impedir que a acetil-colina, substância que age como mensageiro químico entre os neurônios, seja degradada. Alguns pacientes têm o avanço da doença desacelerado com esse tratamento entre dois e quatro meses após seu início, outros não.

Há também a memantina, que atua reduzindo a ação do aspartato e do glutamato, aminoácidos importantes para o aprendizado e para a memória, mas que quando atuam em excesso podem ocasionar a morte de neurônios. Da mesma forma que os inibidores de acetil-colinesterase, o resultado almejado é o retardamento do progresso do mal de Alzheimer, não sendo esperada melhora de sintomas já existentes.

Em alguns casos, são também receitados remédios para o controle das alterações de comportamento. Embora necessários em algumas situações, devem ser evitados quando possível pois podem piorar a confusão mental e diminuir a capacidade de movimentação e deglutição.

Mas há terapias coadjuvantes ao tratamento farmacológico. A fisioterapia, por exemplo, pode e deve ser utilizada para prevenir a degradação física, mantendo por mais tempo a capacidade de andar, melhorando o equilíbrio, prevenindo atrofias musculares e incontinências. Ela também ajuda na respiração, mastigação e no controle motor.

A fonoaudiologia é importante para melhorar a comunicação dos pacientes, bem como para a prevenção de disfagias por problemas de deglutição.

Outra forma de melhorar o estado dos doentes de Alzheimer é promover sua socialização com pessoas passando por dificuldades semelhantes. Ao perceberem que não estão sozinhos, surge a motivação para o tratamento e é mais facilmente controlado o estado depressivo.

Os exercícios físicos também são extremamente importantes, desde que sua cadência seja adaptada a cada paciente. Além de proporcionar a manutenção de sua mobilidade, tônus muscular e saúde em geral, acabam aumentando a auto-estima e melhorando a disposição e o humor.

Cuidados com o meio

As pessoas com o mal de Alzheimer devem viver em um ambiente seguro. Para elas, um tapete solto, uma rua a atravessar, uma sacada, dentre outros, são riscos graves.

A casa em que mora um doente de Alzheimer deve ser minuciosamente inspecionada e os perigos eliminados.

Segue uma lista de fatores a considerar:

  • instale barras de apoio no box do banheiro
  • remova tapetes, fixe-os ou troque-os pelo tipo anti-derrapante
  • instale trancas nas portas, mantendo as chaves em local próximo a alguém que esteja cuidando do paciente
  • oriente porteiros ou vizinhos para avisar o cuidador quando virem o doente saindo sozinho
  • retire espelhos, pois com o avançar da doença é comum as pessoas não mais reconhecerem que é sua a imagem refletida, podendo causar sustos e desconforto
  • guarde documentos importantes e dinheiro em lugares de difícil acesso ao doente
  • certifique-se de que o acesso a medicamentos e produtos de limpeza seja controlado. Use, para isso, uma trava com segredo ou cadeado
  • instale telas de proteção em janelas e sacadas
  • retire objetos de decoração pontiagudos, cortantes ou pequenos que possam ser engolidos
  • solicite a quem estiver cozinhando cuidado redobrado com as panelas quentes e com a chama do fogão
  • providencie para que as fechaduras dos banheiros possam ser abertas pelos dois lados ou coloque uma cópia da chave pendurada pelo lado de fora para agilizar o acesso do cuidador ao doente em caso de emergência
  • instale corrimãos dos dois lados das escadas e certifique-se de que os degraus não sejam escorregadios

Estes são apenas alguns dos cuidados que devemos ter com o ambiente em que vive um paciente com mal de Alzheimer. Veja outras precauções no site Saúde em Movimento.

Responsabilidades criminais

É importante saber que, pelo Código Penal Brasileiro, há penas previstas para quem deixar de cuidar dos doentes de Alzheimer sob sua responsabilidade:


Abandono de incapaz
Art. 133 – Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Pena – detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º – Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º – Se resulta a morte:
Pena – reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º – As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I – se o abandono ocorre em lugar ermo;
II – se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)

Também o Estatuto do Idoso prevê:


Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o socorro de autoridade pública:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.
§ 1o Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2o Se resulta a morte:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.

Prevenção

Não há conhecimento suficiente sobre a doença para evitar seu surgimento, mas estatisticamente podemos adotar certos comportamentos que parecem reduzir o risco de se desenvolver o mal de Alzheimer.

Em 2011 foi apresentado no Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) um trabalho entitulado “Modifying Risk Factors May Prevent Alzheimer’s Epidemic” ou, em português, “Modificação de fatores de risco pode prevenir epidemia de Alzheimer”. Para ler o artigo completo, escrito por Dr. Barnes, Dr. Fratiglioni, Dr. Qiu, e Dr. Thies é necessário cadastrar-se gratuitamente no site MedScape Today.

Este trabalho cita, percentualmente, os fatores de risco mais importantes para a doença de Alzheimer que podem ser alterados. Se não é possível conter o avanço da idade nem alterar o DNA de um indivíduo, ao menos existe a chance de suprimir alguns dos outros fatores de risco da doença. Evitando-os, você estará mais protegido desse mal. Este percentual leva em conta a maior ou menor ocorrência do fator e a sua ligação conhecida com o mal de Alzheimer.

Os fatores são:

  • Baixa escolaridade (19%). No estudo, baixa escolaridade foi descrita como apenas completar o ensino fundamental. Outras fontes sugerem que não necessariamente temos que freqüentar os bancos escolares para prevenir a doença, mas normalmente quem estuda mais tem o hábito de ler com maior freqüência, pensar criticamente e de se expor freqüentemente a desafios. O segredo parece estar na “aeróbica mental”, a que me refiro constantemente. E para estimular o raciocínio, gosto muito dos desafios de lógica, capazes de divertir e agitar o cérebro ao mesmo tempo. Ler bastante, discutir seus pontos de vista com boa argumentação, jogar xadrez, resolver sudokus, e muitas outras atividades intelectuais parecem, também, ter seus efeitos positivos na prevenção do mal de Alzheimer.
  • Tabagismo (14%). O fumo causa, comprovadamente, diversos males. O mal de Alzheimer é apenas mais uma doença que ocorre com maior freqüência entre fumantes que entre não fumantes.
  • Sedentarismo (13%). Fazer exercícios físicos regularmente, e não apenas uma vez ou duas por semana, produz melhora em diversos aspectos, dentre eles: disposição, capacidade de concentração e raciocínio, humor e muitos mais. Talvez por esse motivo a prática regular de exercícios seja tão importante para se ter uma vida saudável mesmo nas idades mais avançadas.
  • Depressão (11%). Pessoalmente, sempre acreditei que mesmo um problema físico mais grave, quando enfrentado com esperança, humor e garra, pode ser superado. O contrário também vale: se estamos com baixa auto-estima, tristes e solitários, surgem problemas físicos em decorrência do estado psicológico. E pelo estudo apresentado acima, mesmo o mal de Alzheimer pode encontrar um caminho livre para se desenvolver em pessoas com depressão. Por isso é importante ajudar os amigos ou familiares que apresentarem esse quadro. Nem sempre eles, em seu estado depressivo, buscarão a ajuda por iniciativa própria. O mais comum é se afastarem e não aceitarem qualquer tipo de auxílio. Estejamos sempre atentos, portanto, para estender a mão àqueles que dela necessitarem.
  • Hipertensão na meia idade (5%). Além de problemas cardíacos e derrames, a hipertensão está associada de mais de uma forma com o mal de Alzheimer. É objeto de estudo se as estatinas, presentes em drogas anti-colesterol, podem dissolver as placas formadas entre os neurônios em seu estágio inicial.
  • Obesidade na meia idade (2%). É notável a ligação entre os fatores de risco para o Alzheimer. Normalmente a obesidade está acompanhada pela hipertensão, é acentuada pelo sedentarismo e pode contribuir para o surgimento, em casos mais graves, de estados depressivos.
  • Diabetes (2%). Infelizmente, além de todas as implicações e possíveis complicações do diabetes, também o percentual de risco para o Alzheimer é maior que entre os não diabéticos.

Finalmente…

Escrever este post foi bem diferente de escrever os outros. Este foi sofrido, aqueles, prazerosos.

É triste pensar que, enquanto meu filho está em um bonito processo de aprender a andar, falar, comer sozinho, tomar banho sem ajuda, cuidar de seus pertences, atravessar ruas e muitos outros presentes da infância, outros entes queridos estão gradualmente desaprendendo as mesmas coisas. Enquanto meu filho coleciona memórias, outros as perdem. É a vida…

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