Guilherme Marques

Mais que opiniões, conteúdo embasado.

Written by: on 19 de setembro de 2012 @ 17:20

Difícil decisão


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Muitas mulheres chegam a um doloroso dilema durante o período de gravidez e nos primeiros meses após o nascimento de seus filhos.

  • Devo deixar meu emprego atual para concentrar esforços na criação do meu filho?
  • Será que terei oportunidades de trabalho depois, quando quiser voltar a trabalhar?
  • Será que darei conta de trabalhar, cuidar da casa e do meu filho?
  • Será que passaremos por dificuldades financeiras se eu deixar meu emprego?

Estas e outras dúvidas perturbam muitas mães.

Para ajudar você na tomada de decisão, criei um teste rápido, que deve ser respondido com toda a sinceridade e reflexão, de preferência sem discutir com o companheiro, pelo menos durante a sua realização.

Após a contabilização dos resultados, a discussão é mais que saudável, é quase uma obrigação para que mais tarde não ocorra desentendimento ou arrependimento.

 

Teste

Aspectos financeiros e de carreira

1) Seu salário representa, na soma da renda familiar:
a) menos de 20%.
b) entre 20 e 50%.
c) mais de 50%.

2) A área em que você trabalha hoje é:
a) a sua área de formação e aquela na qual você quer se aposentar.
b) a sua área de formação mas não aquela em que quer se aposentar.
c) diferente da sua área de formação mas é aquela na qual quer se aposentar.
d) diferente da sua área de formação e diferente daquela na qual quer se aposentar.

3) Você considera que, em seus gastos mensais atuais:
a) há vários itens desnecessários que podem ser eliminados.
b) há alguns itens desnecessários que podem ser eliminados.
c) não há o que eliminar em termos de gastos.

4) Quanto à possibilidade de você voltar a trabalhar na mesma empresa em que trabalha hoje:
a) não há chance. Uma vez que você saia, não será possível voltar.
b) existe a chance, mas não há garantias.
c) certamente você terá o mesmo emprego de volta daqui a alguns anos.

5) Sobre a possibilidade de trabalhar meio período no seu emprego atual:
a) já trabalho em meio período.
b) existe a possibilidade, mesmo que com redução de salário.
c) não existe a possibilidade.

6) Sobre o trabalho atual de seu marido:
a) é um emprego estável, com baixo risco de desemprego nos próximos anos.
b) é um emprego em que há chance média ou alta dele sair nos próximos anos.
c) ele trabalha como profissional liberal ou com contratação por projetos e há meses em que não há remuneração.

7) No ramo em que você trabalha atualmente, o mercado de trabalho está:
a) saturado, com muitos profissionais disputando o mesmo emprego.
b) normal, é possível conseguir um trabalho com certa persistência.
c) aquecido, com empresas disputando os melhores profissionais.

8) Desde que começou a trabalhar:
a) você nunca ficou sem emprego.
b) você passou até um ano entre empregos.
c) você já passou mais de um ano sem emprego.

9) Caso decida voltar a trabalhar, sua renda familiar permitirá que você escolha:
a) uma excelente creche ou a criança ficará com alguém responsável que tem plenas condições de cuidar bem de seu filho.
b) uma creche normal, nem a melhor nem a pior, ou a pessoa que irá cuidar de seu filho tem alguma condição de cuidar bem dele, embora não tenha experiência com crianças.
c) uma creche em que não desejaria deixar seu filho, pois já ouviu falar mal ou terá que deixar com alguém em quem não tem confiança.

Aspectos psicológicos

10) Quando você está executando uma tarefa urgente e sente que não vai conseguir, você:
a) se afasta, espera um pouco e tenta com mais garra.
b) pede ajuda imediatamente.
c) com calma, continua tentando.

11) Em relação à sua experiência com a maternidade:
a) esse é seu primeiro filho.
b) não é seu primeiro filho e pelo menos um dos primeiros ficou diariamente em uma creche ou com alguém responsável antes do primeiro aniversário.
c) não é seu primeiro filho e nenhum dos primeiros ficou diariamente em uma creche ou com alguém responsável antes do primeiro aniversário.

12) Quando você pensa em trabalhar, deixando seu filho em uma creche ou com alguém responsável durante o dia, você se sente:
a) agoniada, pensando se irão cuidar bem dele e alimentá-lo bem, se não irá pegar doenças ou se machucar com as outras crianças.
b) tranquila, pois a maioria das mães deixa as crianças em creches e elas ficam bem.
c) alegre, pois terá um descanso das desgastantes atividades de mãe e poderá voltar a fazer o que te dá prazer profissional.

13) Na sua casa, o trabalho doméstico é hoje executado por:
a) você, incluindo limpar, fazer comida, lavar roupa e tudo mais que é necessário para a casa.
b) você e uma pessoa (diarista, empregada ou pessoa da família) que a ajuda, uma ou mais vezes por semana.
c) por uma ou mais diaristas ou empregadas, cabendo a você a tarefa de orientá-la(s), apenas.
d) outra pessoa da família.

14) Quanto ao aleitamento materno, você pretende:
a) mantê-lo mamando no peito pelo máximo de tempo possível.
b) mantê-lo mamando no peito por 6 meses, se possível.
c) mantê-lo mamando no peito por alguns meses apenas, mas passando para a mamadeira assim que possível.
d) não amamentá-lo no peito.

15) Você acredita que em uma creche, as pessoas:
a) cuidam bem das crianças, pois estão acostumados com os mais variados comportamentos, sabendo o que fazer em cada situação.
b) deixam as crianças praticamente desatendidas, pois há muitas delas para cuidar e poucas pessoas para ajudar.
c) maltratam os bebês, pois eles não conseguem contar o que aconteceu para os pais.

 

Agora some os pontos de cada uma de suas respostas, conforme o quadro abaixo.
Por exemplo, se você marcou letra b na primeira questão, some 3 pontos. Se marcou letra d na segunda, mais 4 pontos e assim por diante.

Resultado:

De 0 a 16 pontos:
Você gosta muito do seu trabalho ou necessita dele para ter segurança emocional e financeira. Acredita que seu filho estará bem cuidado enquanto estiver trabalhando, pois estará convivendo com outras crianças, socializando-se e nas mãos de quem sabe o que está fazendo. O resultado desse teste sugere que você avalie com carinho a possibilidade de voltar a trabalhar assim que sua licença maternidade acabar.

De 17 a 26 pontos:
Você está inclinada a voltar a trabalhar, mas com certo receio de estar deixando seu filho desatendido em um momento importante para ele. Converse bastante com seu marido antes de tomar a decisão para não gerar conflitos desnecessários em casa. Peça a seu marido que responda também a esse teste e discutam as questões mais polêmicas. Outra medida que pode ajudar a tomar a decisão é elaborar uma lista de gastos mensais fixos, pensar sobre o que pode ou não ser reduzido ou eliminado e comparar com os rendimentos nas duas hipóteses, a de deixar e não deixar o emprego para cuidar do bebê. Com esta discussão o assunto deve ficar mais claro para vocês, facilitando a tomada de decisão.

Mais que 26 pontos:
Você provavelmente se sentirá melhor parando de trabalhar, temporariamente ou não, para se dedicar aos cuidados com o bebê. Pelas suas respostas, provavelmente a sua família tem condições financeiras, mesmo que com certos sacrifícios, de arcar com essa decisão. Você acredita que seu filho estará em melhores mãos cuidada por você que por outros e quer assumir esta responsabilidade. O resultado desse teste sugere que você siga este caminho, mesmo que mais tarde você volte a trilhar o mesmo ou até outros caminhos na sua profissão.

 

Aspectos legais

 

Legislação no Brasil

No Brasil, as mães têm direito a 4 meses de licença maternidade, após o nascimento do bebê. Existe, porém, a Lei 11.770 de 09 de setembro de 2008 que oferece incentivos fiscais a empresas que estenderem a licença por mais 2 meses. Para os pais, a licença paternidade é de 5 dias corridos contados a partir do nascimento de seu filho, conforme Constituição Federal de 1988, artigo 7º inciso XIX e artigo 10º, parágrafo 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.

Acredito que o Brasil, um dia, evoluirá em suas leis, permitindo que o pai participe mais ativamente da criação dos seus filhos. Como veremos a seguir, já há países em que existe o direito a uma excelente licença paternidade.

Também o direito de permanecer mais tempo com o filho que os 4 ou 6 meses atuais parece estar sendo gradualmente incluído nas leis de diversos países. Se é na tenra idade, nos primeiros anos de vida, que se forma grande parte do caráter e do equilíbrio emocional de uma pessoa, os governantes deveriam garantir que este período, ao menos, fosse repleto de cuidados maternos. Não vejo coerência entre a recomendação, pelo Ministério da Saúde, de aleitamento materno por pelo menos 6 meses e a obrigatoriedade de se voltar a trabalhar 4 meses após o nascimento do bebê, em grande parte das empresas.

 

Legislação Internacional

No Japão, a mulher tem direito à licença maternidade 6 semanas antes da data prevista do parto e 8 semanas após o parto, recebendo 60% do seu salário. Porém, se quiser ficar mais tempo com a criança, pode pedir um auxílio governamental até seu filho completar 1 ano de idade, recebendo 20% do sua remuneração de antes da licença. Vale resaltar, também, que o governo japonês dá à família, a título de ajuda, 420.000 ienes por filho, cerca de R$10.800,00. Os pais também são incentivados pelo governo a tirar licença para ajudar na criação dos bebês, por meio de folgas ou redução de carga horária diária (com redução salarial).

Nos Estados Unidos não há licença remunerada, somente o afastamento sem vencimentos por até 3 meses.

Na Alemanha, após o período normal de licença, pai e mãe podem se revezar nos cuidados com a criança em casa por até 3 anos, sendo os 12 primeiros meses remunerados.

Veja abaixo um gráfico comparativo que mostra o número de semanas de licença maternidade, remuneradas e não remuneradas, garantidas por país em 21 países:

 

Conclusão

Tenha em mente que mais que um resultado numérico que indique a decisão mais acertada no seu caso, este teste tem o objetivo de provocar a reflexão sobre os pontos mais relevantes a considerar nesta fase de extrema importância para você e para o seu filho.

 

Sites recomendados sobre o tema:

CEPR – Parental Leave Policies in 21 Countries
Revista Crescer
Blog Quase uma Alemã
Vya Estelar
Terra – Mulher

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Catogories: Crianças, Legislação

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