Guilherme Marques

Mais que opiniões, conteúdo embasado.

Written by: on 12 de setembro de 2012 @ 23:42

Sou da distante época em que não era obrigatório usar cinto de segurança no carro…

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E por incrível que pareça, desde que comecei a dirigir eu usava. Graças a este simples acessório estou vivo hoje. Sofri um acidente bem grave quando eu tinha apenas dois meses de habilitação pois um menor de idade, bêbado e com seis pessoas no carro resolveu atravessar a pista e bater de frente no meu automóvel. Por insistência minha, pois não era costume exigir, meus dois passageiros estavam também com o cinto e nada aconteceu com eles. No outro veículo, os seis foram levados para o hospital sendo que três deles haviam voado pelas janelas e pelo para-brisa. Naquele momento percebi que o que havia se tornado um hábito para mim, colocar o cinto ao entrar no carro, era realmente importante.

E muitos da minha idade ou mais velhos podem se considerar verdadeiros sobreviventes! Imaginem que eu viajava no que se chamava de chiqueirinho, a parte para bagagens atrás da Caravan do meu pai! Solto, sem cinto, sem banco, olhando para trás com o nariz colado no vidro. Eu e todas as crianças da época. Agora pasmem, tenho 39 anos e não 150.

Isso tudo parece loucura hoje, mas não havia lei nenhuma que proibisse. Somos sobreviventes…

E a legislação atual, o que diz sobre o transporte de crianças?

Carros

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Em automóveis, salvo as exceções que apresentarei mais adiante, vale a Resolução 277 de 2008 do CONTRAN, que resumidamente preconiza:

  • bebês com até um ano de idade devem usar bebê conforto, no banco de trás e virado para trás;
  • entre um ano e quatro anos, devem usar cadeirinha;
  • entre quatro e sete anos e meio é obrigatório o uso de assento de elevação;
  • entre sete anos e meio e dez anos as crianças são obrigadas a andar no banco de trás, com o cinto de segurança do próprio veículo. Depois de dez anos, podem andar na frente com o cinto.

Há exceções que são tratadas na resolução, como a possibilidade de se levar quatro crianças no carro, caso em que se permite que a mais alta viaje no banco da frente, com as mesmas regras que vimos acima, desde que o veículo não possua airbag. Este dispositivo, caso infle, pode até matar uma criança que esteja em seu caminho!

Outro caso particular é quando o automóvel não possui bancos traseiros, valendo o mesmo de quando se viaja com quatro crianças.

Mas o que eu achei absurdo é o parágrafo terceiro:

“As exigências relativas ao sistema de retenção, no transporte de crianças com até sete anos e meio de idade, não se aplicam aos veículos de transporte coletivo, aos de aluguel, aos de transporte autônomo de passageiro (táxi), aos veículos escolares e aos demais veículos com peso bruto total superior a 3,5t.”

Quer dizer que taxi, ônibus, trem, metrô, caminhão, van e outros podem transportar as crianças do jeito que quiserem pois não há regulamentação?

Mais ou menos. No caso do transporte escolar, há leis municipais e estaduais que o regulamentam, tornando-o mais seguro. É o caso de Minas Gerais que impõe a colocação dos sistemas de retenção idênticos aos dos carros.

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Mas cabe aqui a categoria indignação desse post, pois nos carros exigem um monte de acessórios caros e quando o dinheiro vai sair dos cofres públicos, para melhorar a infra-estrutura do transporte coletivo para as mães, assegurando a mesma segurança que exigem dos proprietários de veículos, parece que o cuidado com os bebês deixa de ter valor!

É preciso ressaltar que no caso dos carros, mesmo seguindo a legislação, podemos estar colocando as nossas crianças em risco por não observar alguns pontos importantes.

Tanto o bebê conforto quanto a cadeirinha devem estar muito bem presos ao banco traseiro através do cinto de segurança. É fundamental ler bem o manual para ver por onde passar e como apertar ao máximo o cinto, pois a cadeirinha deve ficar imóvel, mesmo aplicando força para os lados e para cima. Só assim ela estará bem presa. E se for possível recomendo instalar uma base para fixar no carro e só acoplar o bebê conforto em cima. Ajuda muito não ter que passar o cinto e verificar a cada passeio.

Devemos também ficar atentos para a folga do cinto de segurança da cadeirinha ou do bebê conforto. Se ao colocar um dedo entre o cinto e a roupa do bebê ainda sobrar espaço, aperte mais. Isso é fundamental pois se o cinto estiver frouxo, em caso de colisão, a criança irá se chocar contra o cinto, o que pode causar lesões internas graves!

Outro detalhe que vale a pena pesquisar é se o bebê conforto possui ajuste de inclinação. No banco traseiro do meu carro, por exemplo, que é inclinado para baixo na parte traseira para dar mais conforto aos passageiros, e como o bebê conforto que adquiri não tem ajuste de inclinação, a cabeça do meu filho caía para a frente a cada acelerada, até os seus dois meses, mais ou menos. Depois ele já conseguia segurar melhor a cabeça e puxava de volta quando estava acordado. Era uma preocupação constante da minha esposa quando andava sozinha com ele sem ninguém para empurrar a cabecinha para trás quando ela caía. Se na época eu soubesse disso, teria comprado um modelo de bebê conforto com ajuste de inclinação.

Com essas precauções eu acredito que meu bebê estará bem em caso de acidente, desde que não seja muito grave.

E o que fazer nos outros meios de transporte para tornar o ir e vir dos nossos bebês mais seguro?

Ônibus urbanos, trens e metrôs

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Andar de ônibus, metrô ou trem urbano com um bebê é complicado, mas faz parte da rotina de muitas mães. Existem problemas de conforto:

  • impossibilidade de se subir sozinha com um carrinho, na maioria dos casos (em algumas linhas de Curitiba existem as estações tubo com embarque em nível e elevador para cadeirantes);
  • dificuldade de segurar o bebê no colo e a sacola com os apetrechos dele;
  • em alguns casos, ter que passar a catraca com o bebê no colo e a sacola na mão;
  • em horários de pico, as mães com bebês de colo muitas vezes não conseguem um assento, mesmo tendo direito a um.

E problemas de segurança:

  • se for possível embarcar com o carrinho, normalmente não há como fixá-lo para que não se desloque em uma freada brusca ou colisão;
  • mesmo sentada, a mãe corre o risco de esmagar o bebê entre o seu corpo e o banco da frente se o ônibus colidir. Por isso procure sentar-se de costas para o sentido de deslocamento, se houver bancos assim, com o bebê no seu colo. Essa é a forma mais segura de transportar seu pequeno tesouro!
  • cuidado também na hora de embarcar e desembarcar, pois normalmente suas mãos estarão ocupadas e os degraus são altos.

Praticamente todos os problemas relatados poderiam ser solucionados ou amenizados com boa vontade política, mas sabemos que a maioria dos políticos não usam o transporte coletivo…

Ônibus intermunicipais ou interestaduais

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A existência de cinto de segurança é obrigatória para todos os veículos de transporte coletivo de passageiros fabricados a partir de 01/01/1999 (Resolução CONTRAN nº 14/98, Art. 2º, Inciso IV, Letra “a”). Isso permite que se compre um assento a mais para a criança, prendendo o bebê conforto ou cadeirinha ao banco. Levar uma cadeirinha em uma viagem de ônibus é muito desconfortável, mas o bebê conforto normalmente pode ser acoplado em cima do carrinho de passeio, logo é perfeitamente viável levá-lo.

E se a pergunta for por que comprar um assento a mais se podemos levar o bebê no colo, há muitas respostas! Primeiro, pela questão da segurança. Quase todos os dias vemos notícias de acidentes com ônibus de turismo e nesse caso seu bebê estará muitas vezes mais protegido do que se estivesse em seu colo. Mesmo em uma manobra ou freada brusca seu filho pode ser projetado contra o banco da frente, o que não seria nada bom. Há também a questão do conforto da mãe, que poderá ter os braços livres para cuidar da criança e poderá até descansar um pouco pois seu filho estará bem seguro pelo cinto de segurança do bebê conforto.

Para as mais precavidas, os assentos do meio do ônibus e do lado direito são estatisticamente mais seguros.

E não se esqueça de levar um brinquedo ou mordedor para os possíveis momentos de impaciência do bebê!

Aviões

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O que já foi luxuoso, voar de avião, agora está menos confortável que viajar de ônibus. As poltronas estão cada vez mais próximas e estreitas, há longas filas de embarque e ainda temos que chegar com muita antecedência ao aeroporto para fazer check-in. Por isso, prepare-se com cautela, prevendo eventuais atrasos com fraldas extras, mamadeiras, papinhas, brinquedos e muita paciência.

Quando for viajar, procure antecipar ao máximo a compra dos assentos, para escolher aqueles que têm divisórias imediatamente à frente. Esses lugares propiciam mais conforto por propiciarem mais espaço para os pés e maior mobilidade para a mãe atender seu filho.

Há aeronaves que possuem uma espécie de berço que pode ser acoplado à parede para bebês pequenos. Basta solicitar antes de embarcar e o acessório estará ao seu dispor durante o vôo.

E aqui deve ser analisada mais uma vez a comodidade e a segurança de se comprar um assento a mais para acoplar o bebê conforto. Com tantos gastos em viagens, como hospedagem, passeios, alimentação e muitas compras supérfluas, será que o bebê não merece que gastemos um pouco mais para assegurar que, em uma turbulência ou em um pouso mais brusco, ele estará seguro?

A maior parte das linhas aéreas oferece desconto para crianças entre 2 e 10 anos de idade e este mesmo desconto é, algumas vezes, oferecido para as crianças menores de 2 anos com assento próprio. Se o bebê tiver menos de 2 anos e for viajar no colo, o preço de sua passagem não pode ultrapassar 10% do valor pago pelo adulto que o levará.

Reflita, pondere os custos e os benefícios e decida.

Motocicletas

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A lei 9503/97 conhecida como Código Brasileiro de Trânsito prevê, em seu artigo 244, incisoV, que conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança é infração gravíssima com multa, suspensão do direito de dirigir e recolhimento do documento de habilitação.
No caso de criança maior de 7 anos, é necessário que ela esteja atrás do condutor e com capacete adequado ao seu tamanho e que seja certificado pelo INMETRO. Além disso é importante que a criança esteja adequadamente trajada, com jaqueta, calças e botas especiais.

E finalmente…

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Passear com nossos filhos é um grande prazer, além de uma necessidade para que eles possam descobrir o mundo. Mas queremos que eles voltem para casa conosco, felizes e em segurança.

Portanto, pense sempre em quanto você ama seu filho e na dor que seria vê-lo machucado ou sem vida. Nada pode ser mais importante que o futuro dele!

Por isso, SEGURANÇA ACIMA DE TUDO!

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Catogories: Crianças, Indignação, Legislação

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